do regresso

aconselharam-me a escrever todos os dias. ajuda na plasticidade de não sei quantos para reduzir as perdas de memória, a névoa mental, aquela palavra óbvia de que não me lembro quando estou no meio de uma conversa. 

sabem lá eles que eu quero é esquecer. os dias passaram a ser em boa parte mecânicos. ainda não sei qualificar o quanto isso é bom. 

ainda há prazer. pequenos prazeres. estar em sossego neste momento, a fumar um cigarro e a ouvir música, é um deles.

é isso. o sossego. perfeito. /e o esquecimento/

*

não sei se é demasiada carga – wtf, Maria? – demasiada merda, dizia eu, que me deixa agastada. não é opcional tratar do essencial sozinha. acho que começo a preferir assim. ou é o que é, tornado prática. 

apetece-me uma viagem. a viagem, não o destino. sem contactos. só música, um livro e uma sesta se não for de carro. 

*

 



* passei por aqui só para dizer que já não choro. não é grande coisa.
já a música é fantástica. como serei sempre adolescente: fontaines dc 💙

registos de memória futura para uma cota em decadência mental — música #2

 [the dream, alt j — provavelmente o melhor álbum deste ano]

registos de memória futura para uma cota em decadência mental — música #1


registos de memória futura para uma cota em decadência mental — entrevistas #1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

não, não há felicidade (...) nós não somos felizes nunca. satisfação impermanente. nós temos satisfação episodicamente porque estamos na praia a beber uma cerveja e a olhar para o mar. isso é maravilhoso.

a gargalhada é a imortalidade possível

 

 

"o rir e fazer comédia com momentos destes é uma forma de resistência. uma prova de vida. acho que não há outra maneira de encarar a adversidade. uma pessoa quando cai tenta levantar-se. não é minimamente lógico, do ponto de vista racional ou mesmo do ponto de vista emocional, que tu estando em baixo faças por estar mais em baixo. resta o instinto de sobrevivência que ao cair nos levantemos e não conheço melhor propulsão, melhor impulso para te voltares a pôr de pé do que a gargalhada."

admirava muito quem se dedica a causas tão eficazmente que abre novas portas a quem precisa. ou gente que transforma ideias em obras cinematográficas, literárias ou plásticas subtilmente disruptivas, provocadoras e poderosas, fazendo-nos repensar os dias (para não dizer a vida). ou aqueles conhecidos com tanto na vida para gerir que pareciam desdobrar-se em, pelo menos, quatro clones para concluir tanto afazer. contudo, o tempo trouxe-me a admiração por quem resiste no confronto com a delicadeza da estabilidade no dia à dia do seu núcleo, dos seus.


ainda continuo hesitante com a tasca. creio que a coisa vá descambar numa pseudo filosofia de bancada. hoje podia ser qualquer coisa como: quando parimos também damos à luz a puta da culpa que nos ficará colada à pele por cada espinho que as crias espetem nos dedos?

—
sim.