registos de memória futura para uma cota em decadência mental — música #2

 [the dream, alt j — provavelmente o melhor álbum deste ano]

registos de memória futura para uma cota em decadência mental — música #1


registos de memória futura para uma cota em decadência mental — entrevistas #1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

não, não há felicidade (...) nós não somos felizes nunca. satisfação impermanente. nós temos satisfação episodicamente porque estamos na praia a beber uma cerveja e a olhar para o mar. isso é maravilhoso.

a gargalhada é a imortalidade possível

 

 

"o rir e fazer comédia com momentos destes é uma forma de resistência. uma prova de vida. acho que não há outra maneira de encarar a adversidade. uma pessoa quando cai tenta levantar-se. não é minimamente lógico, do ponto de vista racional ou mesmo do ponto de vista emocional, que tu estando em baixo faças por estar mais em baixo. resta o instinto de sobrevivência que ao cair nos levantemos e não conheço melhor propulsão, melhor impulso para te voltares a pôr de pé do que a gargalhada."

admirava muito quem se dedica a causas tão eficazmente que abre novas portas a quem precisa. ou gente que transforma ideias em obras cinematográficas, literárias ou plásticas subtilmente disruptivas, provocadoras e poderosas, fazendo-nos repensar os dias (para não dizer a vida). ou aqueles conhecidos com tanto na vida para gerir que pareciam desdobrar-se em, pelo menos, quatro clones para concluir tanto afazer. contudo, o tempo trouxe-me a admiração por quem resiste no confronto com a delicadeza da estabilidade no dia à dia do seu núcleo, dos seus.


ainda continuo hesitante com a tasca. creio que a coisa vá descambar numa pseudo filosofia de bancada. hoje podia ser qualquer coisa como: quando parimos também damos à luz a puta da culpa que nos ficará colada à pele por cada espinho que as crias espetem nos dedos?


sim.

limpei muitas séries nos anos de confinamento (gostava de poder já dizê-lo no pretérito perfeito). algumas bem cotadas nos mercados imdb, rotten tomatoes e os melhores críticos: do fb ao twitter, passando pelo insta e a conversa de café no whatsapp. destas deixei a meio muitas. maravilhei-me com algumas surpresas. passei a esquecer os rankings. só me interessam as que ficaram na memória: o melhor barómetro. 

para já o meu top três. todas eles a lembrar de como facilmente podemos pifar, queimar os circuitos, fazer merda, obsessões, salvação, resiliência. ou, quem sabe, na verdade foram só as belíssimas bandas sonoras que me ficaram na memória e tudo o resto é uma mania em achar que tudo tem ser explicado.

 

ainda dá para tirar o pó

a esta tasca?

acho que as paredes ainda estão boas.

hipnoterapia

pára tudo!!!! incluindo os reguladores de neurónios, a neura do outono no verão, o sono crónico, ter dois dias para terminar trabalhos que demoram duas semanas (ou dois meses). pára mesmo tudo! agora estou refugiada, abrigada e deslumbrada com esta maravilha.

@ Estudos Avançados de Música Pimba

on the road

não a do Kerouac, que mal sei escrever e as minhas viagens — apesar de tudo ou felizmente — são mais sossegadas. nem sequer a proximidade com o Moriarty (só porque jamais conduziria a alta velocidade e... de tronco nu, eh eh eh).



ontem, em viagem para ir ajudar os progenitores. cada um doente, um sem poder sair de casa, o outro a ter de ir ao hospital. a irmã em outra cidade com uma das descendentes doente. aproveito que são 19h, estou a conduzir, e ouço a Prova Oral (gosto do Alvim. é um pateta porreiro). falavam de coragem. mais precisamente do livro Este Livro Não é para Fracos, de Ana Moniz. não gosto de livros que cheiram a auto-ajuda. soam-me a um deitar meia dúzia de chavões no caldeirão e daí esperar que resulte uma poção mágica em que todos viveram felizes para sempre. mas há excepções. não sei se é o caso deste. gostei de ouvir a Ana Moniz. acho que até preferia conversar com ela do que ler o livro dela. gosto mais de conversar sobre estes assuntos, do que ler sobre eles. gosto da interacção destas conversas e de ficar semanas a pensar nelas. em parte delas. o gosto de sentir novos ares.



passei a olhar a coragem enquanto pensamento ético e crítico sobre o que nos rodeia, guiado pela compaixão pelos outros e por nós próprios; coragem enquanto vontade de minimizar o sofrimento e de agir para que tal aconteça; mesmo que tenhamos medo, mesmo que implique correr riscos, mesmo que não saibamos o que nos aguarda à chegada.