the far field

planos dimensionais

plano A: eu, uma sala de cinema com pouca gente - i.e. silêncio, sobretudo sem o barulho de pipocas -, que não exclua boa companhia e mais de duas horas a ver o novo episódio do Star Wars. (sou esse tipo de pessoa básica. não almejo uma viagem à Lapónia com um plausível unicónio)

em jeito de plano B: bem podia ser uma caminhada com umas vans nos pés. as bordeaux, tipo bota, que são as únicas que gosto. (sempre básica, ainda que esquisitinha)

nos dois planos falta algo essencial para serem concretizado, hélas.

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plano ∞
Mariana, a miserável


nove da manhã na sala de espera no hospital ouço o miúdo, Dinis (circa seis anos): vou ser operado ao coração. e ri-se. eu não sei se ria, se chore e antes de decidir: partiram-me o coração. e riu-se, novamente. pude também rir-me com ele. não sei o que o miúdo tem mas está na secção de exames ao coração e nem ousei perguntar por quê. fiquei-me pelo humor dele. que não desapareça. ele e o seu humor.

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:)



oh oh oh [this isn't a christmas song]



Oh

Forgiving who you are

For what you stand to gain
Just know that if you hide
It doesn't go away
When you get out of bed
Don't end up stranded
Horrified with each stone
On the stage

Oh Oh
“ Quando se chega à minha idade, e agora tenho 66 anos, apercebemo-nos de que o mundo é uma casa de doidos e que a maioria das pessoas vivem numa fantasia de uma maneira ou outra. Por isso, assim que uma pessoa se apercebe disso, não é uma coisa que incomoda muito.
...
Fico impressionado com como o riso nos liga às pessoas. É quase impossível manter qualquer tipo de distância ou noção de hierarquia social quando estamos simplesmente perdidos de riso. O riso é uma força democrática.
...
Quem se ri mais, sabe mais.”
— John Cleese


eu, rindo-me.

mirror, mirror who is the most fucked up?

fui repor a visualização de entretenimento para o modo mais crescidos e escolhi a série Black Mirror. vi a primeira temporada e agora estou com vontade de ver o Gnomeu e Julieta...

os episódios podem ser vistos sem ser em sequência, não há uma narrativa contínua entre eles, apenas no ponto de ligação da perniciosidade do que podem ser as tecnologias. ou melhor, naquilo que os humanos podem fazer com elas. qualquer um dos episódios dava para uma boa longa metragem. embora, assim curtinhos, disparem rapidamente com a merda que conseguimos ser. a tecnologia só vem potenciar e facilitar a coisa. uma merda que não é necessariamente por consequência de malícia por si só. alias, tudo começa com uma certa dose de boas intenções: de querer ajudar, salvar alguém, saber a verdade e como qualquer boa seta filosófica, estilhaça bastante primeiro. depois cada um cola como lhe aprouver.

(eu estou em luta entre a curiosidade de prosseguir para a próxima temporada ou deixar-me estar quieta e fazer uma sesta até esta primeira temporada assentar.)



pela enésima vez as catraias quiserem ver o Big Hero 6. as três bem ajeitadas no sofá com a manta que o tempo pede. não era para eu ter ficado: o portátil ao lado a pesar-me a consciência do trabalho ainda por fazer... azar, que foi preterido.

a cena (quase) final que nos deixa com a lagrimita no canto do olho. curiosamente, mais do que a primeira morte do filme que representa a morte de uma pessoa e não de um robot. suponho que ao longo da narrativa e da construção / envolvência das personagens se vá criando um laço afectivo, o que justificará o maior lamento. o que me leva a crer que esta coisa do afectos é uma estrada sem placas de orientação, com uns quantos buracos e lombas, o que justificará o seu lado pouco racional (e, bastas vezes, pouco razoável).

tenho um afecto ao estilo Baymax - é fofinho, querido, mas de certa forma não real - do qual não me consigo despedir. suponho - não devo estar errada - que pelo receio que o vazio seja ainda maior e se instale de vez. puta que pariu, este não é um filme de entretenimento para crianças?

[fool] stop





é completamente ilógico sentir que grande parte desta semana foi para o caraças por estar doente e pensar que tenho de recuperar o tempo, quando passaram mais de quarenta anos e continuo com a sensação de vazio de uma vida quase deitada fora.

também pode ser ainda efeito da febre e daqui a uns dias entreter os neurónios com qualquer outra merda.

por ora, dou com isto e imagino imediatamente o melhor local: perto da lareira, virada para a janela que tem vista para a serra. já terá nevado? (parece-me que pouco poderá ainda mudar).