...lógicas

Alguém que esteja interessado em caça grossa, contacte-me. Sei onde param as bestas. 


não sei a quem o hmbf se referia em específico mas sei em quem pensei quando li o seu post. sei bem por onde param as bestas, as da esfera pública e da esfera privada.

ontem à noite cometi o erro de ter a tv ligada na cmtv enquanto preparava o jantar. directos a dissecar a situação de um barricado, suposto homicida da namorada. relatos de violência e violações. separações e reatamentos. à primeira vista nada disto tem lógica. nunca, em nenhuma das histórias deste tipo. à segunda, muitas explicações: psicológicas, patológicas, sociológicas, juspsicológicas... tanta lógica com prefixo... no terreno, das vítimas aos agressores, pouco serve. por muitas voltas que se dê (e nas voltas, um sinal que ainda se consegue mexer.... menos mau...) as marcas ficam e são relembradas em cada acção obsessiva da outra parte.

temos meio mundo um quarto alguns a movimentar o que julgam possível para prevenir ou quando não é possível, para acompanhar o desequilíbrio que fica, apoiar e ajudar a arrumar as gavetas possíveis. fundamental, sem dúvida. mas que não resolvem o primário, rude e brutal de ter uma filha de dez anos com insónia e chegar ao pé de mim, já muito além da hora em que devia estar a dormir, e dizer-me "mãe, não consigo dormir. estou só a pensar no dia em que o pai te bateu". enfiei-a no meu colo, abracei-a e contei-lhe uma estória para enganar os pensamentos e deixar que o sono chegasse.

a besta do pai, desses pais, que colocam as suas obsessões e raivas acima dos filhos. essa besta que viu as filhas a chorarem agarradas a mim, onde foi mais importante para ele continuar aos berros comigo e a ameaçar-me de mais porrada.

ainda que eu não puxe o assunto com as minhas filhas, nem de outros ligados à bestialidade do pai, a memória delas, a inteligência delas em saber claramente o que está errado e o que está certo, não as deixa esquecer. sei bem que não se esquece.

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